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A DPOC caracteriza-se pela obstrução crónica, mas parcialmente reversível, do fluxo de ar nos pulmões. É causada por uma resposta exagerada dos pulmões quando são diariamente irritados pela inalação de substâncias nocivas, principalmente as contidas no fumo de cigarro. Esta resposta é denominada de processo inflamatório, ou seja, é a forma pela qual o pulmão se defende dos agressores, levando à bronquite crónica e ao enfisema do pulmão. As alterações da forma do pulmão reflectem-se em outros órgãos, principalmente no coração e nos músculos periféricos. Por isso, a DPOC é considerada uma doença sistémica, isto é, que ataca vários órgãos ao mesmo tempo.
O pulmão fica parcialmente cheio o tempo todo e não há reserva para inspirar e expirar rápido. Este mecanismo é chamado de hiperinsuflação por aprisionamento de ar. O ar entra, mas não consegue sair na velocidade adequada. A cada ciclo respiratório, sobra uma quantidade de ar dentro dos pulmões. Este ar deforma e estica toda a estrutura dos pulmões, prejudicando a função de oxigenar.
A real incidência da DPOC na maioria dos países não é conhecida, pois os dados são obtidos por questionários de sintomas e difíceis de serem avaliados com o máximo rigor estatístico. Os níveis de incidência desta patologia estão a aumentar, com consequências graves ao nível ao nível da Saúde Pública e até da Economia. Diversos estudos apontam para que a doença possa afectar cerca de 10 em cada mil homens e à volta de sete mulheres em cada mil. A prevalência, para pessoas acima dos 40 anos, está estimada em 9% da população mundial, percentagem que aumenta para 15 pontos no caso de fumadores.
Existem vários factores de risco descritos para o desenvolvimento da DPOC, sendo o mais conhecido, e estudado, o tabagismo. Mas não se sabe com rigor quem é susceptível à doença e quando esta se começa a desenvolver. Aconselha-se, portanto, uma atitude preventiva, nomeadamente em relação ao tabagismo. Outros factores desencadeantes conhecidos podem ser de natureza genética – relacionados com a hiperactividade das vias aéreas e com o crescimento pulmonar – ou ainda ambientais, através de exposição a poeiras, produtos químicos e poluição. A relação entre os factores genéticos e os ambientais, concretamente quanto à sua contribuição para a doença, está ainda pouco estudada.
A asma e a DPOC são chamadas doenças obstrutivas das vias aéreas porque dificultam o fluxo de ar nos pulmões. A palavra mais usada para diferenciá-las é “reversibilidade da obstrução”: na asma, a limitação ao fluxo de ar é reversível com o tratamento ou mesmo espontaneamente, enquanto na DPOC tal não acontece, mesmo nos pacientes cujos sintomas melhoraram. Por outro lado, a asma costuma manifestar-se na infância e a DPOC após os 40 anos.
A espirometria, que mede os fluxos e os volumes do pulmão, é um exame extremamente simples e que pode ser realizado no próprio consultório médico ou em laboratórios. O diagnóstico de DPOC é feito quando a relação entre todo o ar que cabe no pulmão e o assoprado no primeiro segundo for menor que 70%.
Não, mas é muito importante para identificar outras doenças do pulmão, como o cancro e a tuberculose, facilitando o diagnóstico correcto da patologia associada ao doente em causa.
Consideram-se quatro estágios: Leve (com sintomas pouco perceptíveis), Moderada (falta de ar ao fazer exercício físico), Grave (falta de ar nas actividades diárias), Muito Grave (Falta de ar mesmo em situação de repouso).
Sim, os pacientes melhoram...e muito! A DPOC não tem cura, mas o tratamento devolve a independência e qualidade de vida ao paciente.
A exacerbação é o aumento na quantidade de catarro do portador de DPOC, ou a mudança de aspecto da secreção, ficando mais espessa, amarela ou esverdeada. Este sintoma, em geral, está acompanhado de uma piora na falta de ar. Quando o doente se apercebe da falta de ar, mais cansaço, junto com o aumento do catarro, a melhor coisa a se fazer é procurar o seu médico ou um pronto-socorro. Este quadro deve ser rapidamente diagnosticado e tratado, para que não evolua para a insuficiência respiratória. Se isso ocorrer pode haver a necessidade de internamento.
A presença de sintomas como tosse, expectoração, pieira ou falta de ar, persistentes ou desencadeados pelo exercício físico, embora não específicos, devem fazer pensar no diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).
A terapêutica da DPOC tem vindo a sofrer notáveis avanços, encontrando-se disponíveis diversas classes de fármacos muito úteis. A sua utilização é, habitualmente, orientada por recomendações, de forma a uniformizar o tratamento desta doença. Para além das medidas farmacológicas consideradas adequadas, estão muitas vezes recomendadas medidas de reabilitação respiratória. Para um melhor esclarecimento desta àrea, e avaliação da sua indicação, aconselhamos que consulte o seu médico assistente.