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Conviver com a DPOC

A capacidade para “lidar com” a doença está, directamente, relacionada com o padrão de pensamento, com a estrutura emocional, com o apoio familiar e com o apoio da equipa de profissionais de saúde.

 | Dr.ª Luís Soares Branco, presidente da Direcção da RESPIRA

Conviver com a DPOC

Efectivamente, a maioria das pessoas com doenças respiratórias obstrutivas convive, diariamente, com as limitações que aquelas lhes impõem de modo silencioso, contornando os obstáculos e negando o facto dos sintomas corresponderem a uma doença bem real.

O diagnóstico surge muitas vezes tardiamente, e em consequência de uma agudização / exacerbação, porque se subestimam as limitações sentidas, atribuindo-as a factores externos e a circunstâncias diversas de vidas demasiado stressantes.

O confronto com a verdade é muitas vezes difícil de aceitar, sobretudo se a DPOC está já num estádio avançado. É doloroso ter consciência e aceitar que os hábitos de vida têm que ser alterados; que se vai depender o resto da vida de medicação – broncodilatadores, corticóides, etc – de ventiladores externos e de oxigenoterapia; que a autonomia poderá nunca mais ser a mesma.

A ausência de saúde, neste caso respiratória, põe em causa a auto-estima e o desempenho dos papéis, quer a nível familiar, quer a nível profissional e social. As expectativas pessoais são alteradas. A estabilidade emocional é seriamente abalada.

A capacidade para “lidar com” a doença está, directamente, relacionada com o padrão de pensamento, com a estrutura emocional, com o apoio familiar e com o apoio da equipa de profissionais de saúde que trabalha em conjunto com cada uma das pessoas com DPOC para manter e melhorar, se possível, as suas performances em termos específicos – respiratórios – e globais.

Muitas pessoas com esta doença podem não conseguir ultrapassar a perda de equilíbrio que um diagnóstico e prognóstico mais duro acarretam e entram em depressão, num círculo vicioso de sentimentos de impotência e de falta de controlo da sua própria vida.

E de medo! Medo de piorar, medo da vida, das outras pessoas…

Outras reagem e consideram importante conhecer a doença melhor, aceder a mais informação, conseguir ter uma melhor qualidade de vida, quer para si, quer para os seus familiares, quer para os seus pares.
Lutam, diariamente, pela melhoria da sua condição física; cumprem, escrupulosamente, a medicação e as orientações terapêuticas dos seus médicos assistentes.

São proactivos, aqueles que acreditam que são uma peça fundamental no seu próprio processo de reabilitação.

A génese das Associações de Doentes – como a RESPIRA – tem a sua base na vivência de problemas comuns, nas dificuldades sentidas, nas expectativas de melhorar a qualidade da sua vida e da de outros, desde que se acredite que se tem essa responsabilidade moral perante a sociedade e que juntos podemos fazer a diferença.