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Exercício físico programado e controlado devolve qualidade de vida

A reabilitação respiratória melhora o doente, através de exercício físico programado e controlado. O alivio de sintomas, a melhoria do bem-estar e o controlo da evolução da doença são os principais benefícios.

| Sofia Filipe

Exercício físico programado e controlado devolve qualidade de vida

Para a Dr.ª Paula Simão a reabilitação respiratória (RR) tem a mesma importância que a terapia farmacológica, sendo, aliás, uma componente do tratamento de doentes respiratórios.

A RR pode ser levada a cabo em programas de ambulatório, em que o doente se dirige ao centro de reabilitação 3 vezes por semana durante 8-12 semanas, assim como durante a hospitalização e até no domicilio (casos menos graves).

Segundo esta assistente graduada de Pneumologia do Hospital de Matosinhos e coordenadora da Comissão de Reabilitação Respiratória da SPP, «trata-se de um programa multidisciplinar aplicado nos cuidados a indivíduos com doenças respiratórias crónicas, em particular com DPOC».

A reabilitação respiratória é recomendada logo na fase inicial da doença e tem como objectivo reduzir a sintomatologia, melhorar a qualidade de vida e aumentar a participação física e emocional em actividades do dia-a-dia.

«Para atingir estas metas», diz a Dr.ª Paula Simão, «a RR tem que ter em conta problemas não pulmonares (para o doente aparentemente sem relação com a doença), que incluem a falta de condicionamento físico (”forma física”), o relativo isolamento social, estados de humor alterados (depressão) e enfraquecimento muscular e perda de peso».

Programa de RR

«Ao contrário do que se possa pensar, um programa de RR é muito mais do que “ginástica respiratória”», frisa a mesma pneumologista, continuando: «Envolve vários tipos de profissionais (pneumologista, fisiatra, enfermeiro, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, etc.) e inclui diferentes componentes (treino de exercício, aconselhamento nutricional e psicossocial, educação do doente), de forma a incentivar a adesão ao tratamento.»

Entre as diversas actividades educativas está incluído o ensino do uso de medicamentos inalados, bem como a prevenção de factores ambientais que desencadeiem crises (como por exemplo o fumo do tabaco).

«O treino ao esforço é o elemento fundamental do programa, deve englobar os membros inferiores e superiores e são efectuados exercícios como a marcha, a bicicleta estática, o tapete ou o uso de pesos», explica a coordenadora da Comissão de Reabilitação Respiratória da SPP.

E acrescenta: «Nestas sessões também se ensinam e treinam as chamadas técnicas de conservação de energia, isto é, manobras simples para realizar actividades do quotidiano sem cansaço ou falta de ar (tomar banho sentado num banco, sentar-se para calçar e descalçar os sapatos, usar sapatos sem cordões, fazer toda a higiene matinal sentado, subir escadas degrau a degrau, não ter pressa nas tarefas).»

No nosso País, o número de doentes que beneficia de reabilitação respiratória é reduzido. Isto porque existem poucos centros para o efeito. Contudo, a Dr.ª Paula Simão salienta que «tem vindo a ser feito muito trabalho nos últimos anos, nomeadamente de reorganização dos serviços de Pneumologia e Fisiatria, no sentido de dotar a maior parte dos hospitais de programas de RR, sendo também uma prioridade o investimento em programas domiciliários, que permitirão um maior número de doentes correctamente tratados».

Benefícios

A Dr.ª Paula Simão aponta alguns benefícios obtidos com a reabilitação respiratória. Benefícios estes que perduram para além do período em que decorre o programa. Anote:

  • Melhoria da capacidade de exercício
  • Redução da sensação de falta de ar
  • Diminuição da fadiga
  • Melhoria da qualidade de vida
  • Redução da ansiedade e da depressão associadas à doença
  • Diminuição das hospitalizações
  • Fortalecimento dos músculos, em especial dos braços, aumentando a capacidade para realizar actividades