Home > DPOC

Diagnosticar: Como e Quando?

«Quando mais cedo for detectada a DPOC, maior a probabilidade de evitar a sua progressão através de medidas de evicção de risco»

| Dr. António Bugalho, Pneumologista (Centro Hospitalar Lisboa Norte, Hospital Pulido Valente, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Nova de Lisboa)

Diagnosticar: Como e Quando?

A DPOC resulta de uma agressão contínua do sistema respiratório por partículas e gases nocivos. A exposição ao fumo do tabaco e a outros poluentes causa inflamação e destruição gradual da arquitectura normal dos pulmões. Quando a lesão é significativa, aparecem os primeiros sintomas da doença


Habitualmente, quem tem DPOC refere tosse acompanhada de expectoração persistente podendo existir dificuldade respiratória, cuja intensidade aumenta durante a realização de esforços, exercício físico ou na presença de infecções respiratórias. A percepção dos sintomas é subjectiva, pelo que muitos doentes não os valorizam, associando-os a outros factores, nomeadamente ao processo de envelhecimento. É fundamental uma alteração de atitudes, quer dos doentes, quer dos profissionais de saúde de forma a promover um diagnóstico correcto e célere.

Como se faz o diagnóstico? É fundamental uma avaliação médica que irá averiguar a exposição a factores de risco, conduzir a uma observação clínica pormenorizada e solicitar uma avaliação da função respiratória. Esta última é designada de espirometria e é um estudo indispensável na abordagem inicial da doença. Trata-se de um exame simples, fidedigno, não-invasivo e rápido, que consiste em soprar ar através de um bocal para o interior de um aparelho que determina a capacidade respiratória de cada indivíduo.

Os valores obtidos nos doentescom DPOC encontram-se diminuídos, quando comparados com valores de referência de pessoas sem patologia respiratória com a mesma idade, sexo, altura e peso. Este teste estabelece não só um diagnóstico definitivo da doença, como também proporciona informação relativa ao grau com que a respiração está alterada, podendo a DPOC ser classificada em ligeira, moderada, grave e muito grave com consequentes implicações no tratamento proposto. Outras doenças podem originar sintomas ou alterações nos testes respiratórios semelhantes aos da DPOC, pelo que pode ser necessário a realização de mais exames e diagnósticos.

Quando deve ser efectuado o diagnóstico? Conforme já referimos, o diagnóstico deve ser o mais precoce possível. O seu atraso faz com que o dano pulmonar possa ser mais acentuado e os sintomas incapacitantes, podendo conduzir, inclusivamente, a limitações das actividades diárias e diminuição da qualidade de vida. É importante ter a noção de que esta doença não tem cura, mas pode ser prevenida e tratada de forma eficaz. Quando mais cedo for detectada, maior a probabilidade de evitar a sua progressão através de medidas de evicção de risco como, por exemplo, a promoção da cessação tabágica e instituição de um plano terapêutico correcto. Múltiplas campanhas têm sido desenvolvidas para que indivíduos, com mais de 35 anos, com factores de risco e sintomas respiratórios persistentes promovam o seu bem-estar através da observação precoce por um profissional de saúde. A implementação de estratégias de diagnóstico precoce possui potencial para reduzir o impacto da DPOC nas suas vertentes clínica, social e económica.