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A Nossa Qualidade de Vida

«O tabaco é o alvo principal, sendo fundamental a disseminação da informação, nomeadamente na perspectiva da valorização dos benefícios em abandonar ou nunca abraçar o hábito de fumar»

| Dr.ª Luísa Gentil Soares Branco, Direcção da Respira

A Nossa Qualidade de Vida

Esta perspectiva sobre a Qualidade de Vida das pessoas com doenças respiratórias crónicas, nomeadamente a DPOC, reflecte o conceito de que aquela é "a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais vive e em relação aos seus objectivos, expectativas, padrões e preocupações"1 e que relaciona o indivíduo nos seus aspectos físicos, psicológicos, sociais e nível de autonomia com a comunidade e meio ambiente.

Assim, é fácil entender que este tema seja subjectivo, dependente das vivências de cada um de nós, dos relacionamentos familiar e social que estabelecemos, e, sobretudo, da nossa capacidade para lidar com as limitações ou incapacidade funcional que o grau da doença acarreta.

A avaliação que fazemos sobre a nossa Qualidade de Vida não se restringe apenas aos padrões da sociedade em que estamos inseridos, mas engloba, ainda, a nossa doença respiratória crónica , o seu tratamento e o grau de autonomia que mantemos.

A satisfação que as relações afectivas nos proporcionam, o sentimento de mestria que obtemos da realização profissional ou de acções de voluntariado contribuem, eficazmente, para conseguirmos ultrapassar as barreiras que os sintomas da DPOC, ou outra doença respiratória crónica, nos colocam e motivam para não desistir de ter uma vida com qualidade.

Essa qualidade tem a ver, de um modo geral, com a informação sobre a doença e sua progressão e sobre as co-morbilidades associadas; com o acesso às terapêuticas necessárias - farmacológica, oxigenoterapia e/ou ventiloterapia e a reabilitação respiratória - e com o exercício do direito e do dever de ser proactivo enquanto agente no processo de reabilitação - ou seja de ser ouvido pelos profissionais de saúde e de cumprir as suas prescrições - e ainda de estar disponível para dar o nosso contributo para esta problemática.

Temos, ainda, muito trabalho para atingir um patamar de excelência que todos desejamos e, por todos, queremos dizer as equipas de profissionais de saúde e as pessoas com doenças respiratórias crónicas incluídas. Verificamos a existência de assimetrias e desigualdades no País que urge ultrapassar e, mesmo, corrigir...porque:

É fundamental que todos os tratamentos estejam disponíveis de Norte a Sul para todos os que deles necessitam - referimo-nos à reabilitação respiratória e aos cuidados respiratórios no domicílio (oxigenoterapia e ventiloterapia) - independentemente do subsistema de saúde em que estejam inseridos e das regiões onde residem;

É fundamental a existência de um Programa Nacional para as Doenças Respiratórias Crónicas 2011-2016;

É fundamental apostar na prevenção divulgando a informação sobre a DPOC e outras doenças respiratórias crónicas;

É fundamental implementar a Rede de Espirometria a nível nacional;

É fundamental disseminar as boas práticas a nível dos profissionais de saúde e das pessoas com doenças respiratórias crónicas, a partir dos estudos e relatórios quer pelas Sociedades Científicas quer pelas Comissões como a CNCRD e outras no âmbito da DGS;

É essencial, apesar das circunstâncias desfavoráveis, apostar na Qualidade de Vida para nós e para as gerações futuras.

1 OMS (TheWHOQOL Group, 1995)