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Redução da actividade física aumenta os reinternamentos

A redução drástica da actividade física em resultado de uma exacerbação e de um internamento hospitalar constitui um factor de mau prognóstico, permitindo prever novas exacerbações e hospitalizações. Pelo contrário, quanto maior a actividade física, menor o risco de reinternamento.
Os doentes com DPOC internados por causa de uma exacerbação diminuem consideravelmente a sua actividade física, passando menos tempo de pé a andar, não só durante o internamento, mas várias semanas após a alta.

Alguns doentes perguntarão: se tenho falta de ar, não é melhor estar quietinho? Pois é precisamente ao contrário. Quanto mais tempo os indivíduos com esta patologia estiverem parados, pior. Sobretudo se tiverem sido hospitalizados na sequência de uma exacerbação.

Já se sabe que as exacerbações influenciam negativamente a evolução da DPOC, quer no que respeita à função pulmonar, à qualidade de vida, à utilização dos recursos de saúde e à sobrevida. Mas não é tudo. As exacerbações podem acarretar inactividade física (devido ao agravamento da falta de ar, à hipóxia e à inflamação sistémica com repercussões no aparelho musculoesquelético) e, dessa forma, serem também um factor condicionante de novas agudizações.

Na realidade, os doentes com DPOC que reduzem drasticamente a sua actividade física no mês subsequente à alta têm uma probabilidade maior de serem reinternados no ano seguinte com uma nova crise.

O cenário é tanto pior quando se sabe que os indivíduos internados recentemente com crises de DPOC fazem menos exercício do que os que não têm internamentos recentes. É uma pescadinha de rabo na boca: quanto pior se sentem os doentes, menos exercício fazem, pior recuperam e, logo, mais riscos correm de terem novas crises e de terem de passar mais uns tempos no hospital, o que fará com que se sintam menos aptos para exercitarem os músculos e se mexam cada vez menos.

Tudo isto já foi devidamente estudado e medido - os doentes que reduzem a sua actividade física durante e após o internamento hospitalar por agudização da sua doença recuperam de forma mais lenta e, por via disso, tornam-se mais inactivos. É nos indivíduos com exacerbações recentes que a inactividade física é mais marcada. Precisamente nestes que mais beneficiariam do exercício…

A inactividade física permite mesmo fazer um prognóstico mais negro. Quando um doente com DPOC está demasiado tempo inactivo, é de prever que o seu estado se degrade, em especial quando se compara com um doente activo.

 

Programas de reabilitação devem ser iniciados tão precocemente quanto possível


Posto isto, o que fazer? Parece óbvio: esta população de doentes deve reiniciar a sua actividade física tão precocemente quanto possível, desde que o seu estado o permita, e deve ser prioritariamente incluída em programas de reabilitação pulmonar.

Antecipar ao máximo o início dos programas de reabilitação com treino de exercício logo nos primeiros 10 dias após a alta está claramente associado a uma melhoria na capacidade para o exercício e na qualidade de vida avaliadas três meses após a alta.

Em alguns casos, o reinício da actividade pode ser mesmo feito durante o internamento, de forma a evitar a maior perda da força e da massa muscular decorrente da imobilidade e promover a manutenção da forma física.

O Colégio Americano para a Medicina Desportiva recomenda a pessoas de todas as idades um mínimo de 30 minutos diários de exercício moderado (por exemplo, andar a pé) para manter ou melhorar a condição física. Os doentes com DPOC também só têm a ganhar com uma actividade física regular e com a integração em programas de reabilitação. Aqui, além do treino da musculatura respiratória, do treino de forma dos membros superiores e inferiores e do treino de resistência cardiorespiratória, os doentes são ensinados e incentivados a mudar os seus comportamentos tendencialmente sedentários e a adoptar um estilo de vida mais activo.

Nestes programas, os doentes aprendem a respirar melhor e a controlar a sensação de falta de ar e a tosse, entre outras coisas. O intuito é sempre melhorar a sua qualidade de vida.

 

Exercícios para fazer em casa

 

Também em casa é possível fazer alguns exercícios muito úteis. De acordo com a Comissão de Reabilitação Respiratória da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, os doentes com DPOC devem reservar pelo menos 30 minutos por dia para se exercitarem, devendo esperar duas horas após a refeição principal.

Comece por coordenar a respiração. Deve fazer uma respiração abdominodiafragmática, isto é, uma respiração na zona da barriga e parte inferior do tórax. Coloque a mão na barriga e inspire. Se sentir a barriga a subir, está a proceder correctamente. Ao expirar, o abdómen deve descer. Repita várias vezes ao dia. Este exercício tem várias vantagens, pois, tratando-se de uma respiração mais profunda e menos superficial, permite oxigenar melhor o organismo, reforçar o diafragma, reduzir o esforço da respiração e relaxar.

Quanto aos exercícios, comece pelo aquecimento:

  • Gire os ombros em círculos; incline o tronco para o lado ao mesmo tempo que inspira e volte à posição inicial enquanto expira;
  • Pegue num bastão e, ao erguer os braços, inspire. Ao baixar os braços, expire;
  • Marche sem sair do lugar, sem pressa, controlando a respiração;

A seguir, passe ao fortalecimento. Comece com pesos de 0,5 quilos:

  • Sentado, erga o peso à altura dos ombros e expire. Baixe os braços e inspire;
  • Abra os braços e levante o peso para o lado. Ao exercer força, expire. Quando aliviar a carga, inspire;
  • Estique um joelho e expire. Coloque novamente o pé no chão e inspire;
  • Levante-se. Apoie as mãos numa cadeira e coloque-se em bicos de pés ao mesmo tempo que expira. Ao voltar à posição de partida, inspire:
  • Continue apoiando-se a uma cadeira, mas, desta vez, dobre os joelhos, expirando. Depois, erga-se e inspire;
  • Levante uma perna para o lado e expire. Inspire enquanto a pousa novamente no chão.

Além destes exercícios, faça por caminhar uma hora por dia. Comece com pequenas caminhadas e vá aumentando a duração progressivamente. Enquanto o faz, certifique-se de que está a respirar correctamente.

  • Suba escadas lentamente, apoiando-se no corrimão e parando de vez em quando. Tal como nos exercícios, deve expirar quando ergue o pé e inspirar quando está parado sem fazer esforço.

Mesmo que lhe pareça demasiado ambicioso no princípio, vai ver que, a pouco e pouco, vai sendo capaz de aumentar a sua actividade e a sua energia, o que vai fazer certamente com que se sinta mais activo e com mais confiança em si próprio.

Fontes

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