Estudo ARPA Seniores mostra relação entre rinite e asmaNovo estudo realizado no nosso país mostra clara relação epidemiológica entre asma e rinite na população mais idosa. Se tem mais de 65 anos e desconfia que pode sofrer de uma destas doenças ou de ambas, não culpe a idade e procure o seu médico!
Em Portugal, calcula-se que mais de metade dos idosos com rinite persistente moderada/grave apresente queixas de asma. Em cerca de 60% dos casos, os primeiros sinais surgiram aos 40 anos e em 5% após os 70 anos.
Estes são alguns dos resultados do ARPA Seniores, um estudo inovador a nível mundial apresentado na última reunião científica da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), que o promoveu. Depois de ter incidido sobre a população em geral (Fase I), estudantes dos 15 – 25 anos (Fase II) e crianças em idade pré-escolar (Fase III), o projecto ARPA está, actualmente, na fase IV, tendo sido estudada a população sénior, isto é, com idade superior a 65 anos. Foram incluídos 3.678 indivíduos, 58% dos quais do sexo feminino. As idades estavam compreendidas entre os 65 e os 98 anos e 75% eram residentes em meios urbanos. Na população estudada, 11% tinham diagnóstico prévio de asma e 30% sofriam de rinite alérgica, sendo que 55% dos indivíduos com rinite persistente moderada ou grave também tinham asma. Verificou-se, também, que 20% dos idosos analisados tinham rinoconjuntivite. Outro dado a reter: os doentes com rinite e asma atribuíram consistentemente maior gravidade a esta doença quando comparados com os doentes que só tinham rinite. “No idoso, pela primeira vez, foi demonstrada a forte relação entre asma e rinite nos idosos, em especial a enorme expressão de asma entre os cidadãos com rinite persistente e, entre estes, nos que tinham maior gravidade”, explica o Dr. Mário Morais de Almeida, Presidente da SPAIC, especialista da Unidade de Imunoalergologia do Hospital CUF-Descobertas, em Lisboa, e um dos autores do estudo. De referir que vários estudos fisiopatológicos sugerem uma forte relação entre a rinite e a asma, acreditando-se que, em ambas as doenças, as vias respiratórias superiores e inferiores são afectadas por um processo inflamatório comum e até evolutivo. Do mesmo modo, é ponto assente que a existência de rinite aumenta o risco de se desenvolver asma. “Importa diagnosticar e tratar os nossos idosos!”O ARPA Seniores concluiu ainda que existe um subdiagnóstico e um subtratamento da rinite na faixa etária acima dos 65 anos. Traduzindo em números, apenas 40% dos doentes tinham diagnóstico prévio e estavam a ser tratados. “Apesar de existirem sintomas há décadas, falta o diagnóstico e o tratamento na maioria dos casos de rinite, o que estará intimamente relacionado com a má qualidade de vida, com a gravidade de asma e com a ocorrência de complicações, nomeadamente infecciosas”, continua o médico Mário Morais de Almeida. As razões são várias e incluem o desconhecimento da importância da relação entre doenças alérgicas. Na verdade, subsistem muitos preconceitos e mitos que prejudicam ou mesmo impedem o diagnóstico e tratamento atempado e correcto das patologias alérgicas, como a asma e a rinite, nas pessoas mais velhas. Tal como acontece com outras patologias, tende-se a atribuir as queixas dos idosos apenas ao processo de envelhecimento, como se fossem inevitáveis. Mas não são! É possível viver mais e melhor, desde que se preste a devida atenção aos sintomas e se aja em consonância. Afinal, não há qualquer razão para deixar diagnosticar e tratar uma doença, qualquer que ela seja, só porque já se passou a fasquia dos 65 anos. De acordo com o imunoalergologista, “as alergias começam na infância, mas continuam por toda a vida. Importa diagnosticar e tratar, mas também informar os nossos idosos alérgicos que podem e devem ter mais qualidade de vida”. E deixa um conselho: “Fale com o seu médico”. Em suma, se tem mais de 65 anos e apresenta sintomas como rinorreia, obstrução nasal, prurido nasal e espirros, aos quais se aliam (ou não) tosse, pieira, dificuldades em respirar e aperto no tórax, procure o seu médico assistente e exponha as suas dúvidas e desconfianças. Há hoje fármacos eficazes tanto no tratamento da rinite como da asma, sendo que a gestão optimizada da rinite pode melhorar a asma concomitante ou mesmo evitar o seu aparecimento. | |||||||||