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Asma e animais de estimação

No outro dia, disseram-me que se me visse livre do nosso cão, a asma iria desaparecer. É verdade?

 | fonte: AANMA

Asma e animais de estimação

Sou mãe de uma criança asmática. No outro dia, disseram-me que se me visse livre do nosso cão, a asma iria desaparecer. É verdade?

Antes de tomar medidas tão drásticas como expulsar o bichinho lá de casa, convém ter algumas certezas. Assim, aconselha-se a fazer um teste específico que permite dizer se determinada alergia se deve realmente à presença de animais. Há muitas pessoas que são asmáticas, mas que não têm alergia ao cão ou ao gato. Se o teste for negativo, é pouco provável que a partida do animal doméstico vá ter qualquer impacto na doença do seu filho. Só se a criança estiver sensibilizada especificamente aos alergéneos do cão é que a asma poderá ter relação com a presença do animal. Se os testes cutâneos ou as analises ao sangue não indicarem claramente alergia ao cão a sua presença não terá influencia na asma.

Não foram realizados estudos que demonstrem, especificamente, os benefícios clínicos de retirar o animal de casa. No entanto, ao encontrar um novo lar para o animal, e por muito que custe às crianças, a exposição aos alergéneos em casa diminui. Sabendo nós que a evicção alérgica é a melhor maneira de prevenir a asma e as alergias, parece que não sobram muitas alternativas.

As melhorias podem não ser imediatas, uma vez que os alergéneos permanecem durante muito tempo em casa. Calcula-se que uma casa com gatos, por exemplo, precise de quatro a seis meses para atingir os níveis de alergéneos típicos de uma casa sem gatos. Por vezes, estes vestígios permanecem durante anos.

É claro que há medidas que podem fazer com que estes níveis desçam mais rapidamente, tais como lavar carpetes e remover mobílias, que são potenciais reservatórios de alergéneos.

No caso da criança ser alérgica perguntar-se-á se não haverá raças de animais mais “amigas” dos asmáticos. A resposta é não. Não existem animais para doentes com alergias.

Para os mais reticentes, resta tomar as máximas precauções. Um bom banho ajuda sempre. Na verdade, há estudos que demonstram reduções nas quantidades de alergéneos com uma combinação de banho, filtros de ar, limpeza e remoção de mobílias. No caso dos gatos, esta redução é substancial após as lavagens. Contudo, não ficou claramente demonstrado o impacto destas medidas de higiene na melhoria dos sintomas associados à asma nas crianças. Alguns autores sugerem que os benefícios são tão transitórios que, se calhar, não vale a pena estar a induzir tanto trauma no pobre do gato. Com os cães passar-se-á algo semelhante.

Se, mesmo depois de avaliar os prós e contras, a família não estiver disposta a se “desfazer” do seu animal de estimação, convém, pelo menos, afastar o cão ou o gato dos quartos, intensificar a limpeza à casa, arejar ao máximo a habitação, remover todo o tipo de materiais onde os alergéneos possam depositar-se e concentrar-se, designadamente carpetes e cortinados, que são difíceis de limpar, e utilizar protecção anti-ácaros na roupa de cama e nas almofadas. Os purificadores do ar são outra solução possível. Mas nada disto terá um impacto importante se o animal for mesmo a causa dos sintomas, talvez seja a forma da natureza nos lembrar que os animais não foram feitos para viver em pequenos espaços fechados. Claro que se a habitação tiver um terraço ou um jardim, ter o animal nessa parte da casa não traz qualquer incoveniente para o asmático.

No futuro, não sabemos se vai ser possível aos asmáticos conviverem saudavelmente com os animais. A imunoterapia tem demonstrado bons resultados, sobretudo na alergia aos gatos, mas são necessários mais estudos.

Além disso, antes de iniciar um tratamento farmacológico, parece fazer mais sentido evitar os factores que desencadeiam as crises. Usar medicamentos para permitir o contacto com os animais poderá ter consequências nefastas, como um maior número de efeitos secundários ou uma maior dificuldade em controlar a doença, o que se repercutirá, necessariamente, sobre a qualidade de vida.

Enquanto a indústria não inventa uma solução milagrosa, o melhor mesmo é pensar em arranjar uma nova casa mais adequada para os animais.

Fonte: Dr. Robert Wood (Associate professor of Pediatrics, Johns Hopkins University School of Medicine, and director, Pediatric Allergy Clinic, Johns Hopkins Hospital, Baltimore, MD.
Reprinted from Allergy & Asthma Health magazine, Spring 2000).