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Fumadores reduzem hábitos tabágicos devido à nova lei

Entrevista a Dr.ª Cecília Pardal, pneumologista do Hospital Fernando Fonseca

Basta entrarmos num centro comercial ou restaurante para sentirmos que o ar está completamente diferente, respira-se melhor e não se fica a cheirar a fumo.
Na sua opinião, que efeitos benéficos é que teve a actual Lei junto da população fumadora?

A população fumadora passou a fumar menos. É mais difícil fumar por os obrigar a sair dos locais de trabalho ou lugares públicos e acabam por adiar ou suprimir alguns cigarros, com todas as vantagens que uma redução condiciona. Têm também os efeitos benéficos dos não fumadores estão muito menos tempo expostos ao fumo do tabaco dos outros.

Um dos benefícios foi a crescente vontade de abandonar os hábitos tabágicos?

Sem dúvida que desde Dezembro houve um aumento da vontade em deixar de fumar e da procura das consultas de cessação tabágica. Torna-se mais fácil deixar de fumar: existem muitos locais sem fumadores, não há tanta tentação e houve fumadores que aproveitaram o facto de não poderem fumar umas horas para deixar de vez. Os fumadores também descobriram que são mais dependentes do que pensavam e não gostam de se sentirem «viciados». Por outro lado, o fumador começa a ser olhado de maneira diferente e já não é sinónimo de elegância e charme como ainda era até há algum tempo.

De uma maneira geral, julga que a Lei foi bem aceite pelas entidades responsáveis pelos espaços públicos onde passou a ser proibido fumar? Porquê?

Acho que sim. No início houve muito medo que os fumadores deixassem de frequentar esses locais e que as receitas fossem menores. Tal não aconteceu, pois os restaurantes, centros comerciais e discotecas continuam cheios. Os portugueses aceitaram muito bem a Lei.

Em França houve um tempo de adaptação, em que os lugares de restauração podiam escolher no final se queriam ser locais com ou sem fumo e a quase totalidade escolheu sem fumo porque não notaram diferença.

E pelos fumadores?

Claro que os fumadores se sentiram prejudicados. Foram restringidos de fazer algo que lhes dava prazer e ninguém gosta de proibições. No entanto, os malefícios do tabagismo estão mais do que provados, eles sabem isso e têm cumprido a Lei. Não os deixo de admirar por virem para a rua fumar, às vezes em condições atmosféricas desagradáveis. Começaram também a tirar partido da situação e até já se fala num meio de fazer amigos mais facilmente.

Qual a faixa etária que teve mais dificuldades em «aceitar» a nova Lei?

Acho que não se pode falar duma faixa etária. Claro que os fumadores que frequentam bares e discotecas e estavam muito habituados a fumarem nesse locais, custa-lhes mais. Apesar de habitualmente serem os mais jovens a ir a esses lugares, eles também respeitam muito os outros e grande parte deles concorda com a Lei.

Quais os efeitos benéficos para os não-fumadores?

Quando falamos dos não fumadores há que realçar que além dos frequentadores esporádicos há os funcionários que não conseguiam evitar a exposição ao fumo. Ao frequentarmos locais com fumo existem problemas a curto e a longo prazo, nomeadamente irritação e comichão nos olhos, nariz e garganta, obstrução nasal, espirros, rouquidão, tosse, farfalheira e efeitos cardíacos entre outros.

A longo prazo há por exemplo um aumento do risco de doença coronária e cancro do pulmão em cerca de 25% e de doença pulmonar obstrutiva crónica. Todas estas patologias vão ser evitadas se não houver exposição. Logo, à partida, as pessoas que sofrem de problemas respiratórios vão ter menos problemas agudos e as crianças não ficam tão expostas. Em Itália, houve um estudo em que, logo nos primeiros meses, se registou uma menor incidência de enfarte agudo do miocárdio.

Estão agora os espaços mais saudáveis?

Sem dúvida. Basta entrarmos num centro comercial ou restaurante para sentirmos que o ar está completamente diferente, respira-se melhor e não se fica a cheirar a fumo.
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