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Monitorizar doentes e respectivo tratamento

O apoio domiciliário destina-se, sobretudo, a doentes com insuficiência respiratória crónica que necessitam de próteses como a oxigenoterapia. No Hospital de Pulido Valente este tipo de assistência é feito desde 1998.

| Sofia Filipe

Monitorizar doentes e respectivo tratamento

A equipa da ADIR – Assistência Domiciliária a Insuficientes Respiratórios do Hospital de Pulido Valente (HPV) dá assistência no domicílio, desde Julho de 1998, a pessoas com insuficiência crónica que necessitam de ventilação não-invasiva e/ou oxigenoterapia domiciliárias.

«Este tipo de tratamentos exige mudanças, que afectam o doente e os seus familiares, pelo que a aprendizagem é essencial para serem integrados numa vida que se pretende o mais normal possível», informa a Dr.ª Manuela Zamith, coordenadora da ADIR e pneumologista no Hospital de Pulido Valente, em Lisboa.

São mais de 100 doentes a beneficiar actualmente de apoio domiciliário, sendo em 70% desta população a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)  a principal causa da insuficiência respiratória.
Os beneficiários residem na Unidade de Saúde Setentrional. O trabalho é efectuado em parceria com os Centros de Saúde de Alvalade, Benfica, Loures, Lumiar, Odivelas e Pontinha.

As visitas são feitas por enfermeiras do Hospital de Dia de Insuficientes Respiratórios do HPV em três manhãs por semana. A médica da equipa acompanha as visitas uma vez por semana e a fisioterapeuta de quinze em quinze dias.

Na última revisão, a média etária destes utentes rondava os 71 anos, destacando-se que muitos têm outras doenças associadas – diabetes, hipertensão, doenças cardíacas, urológicas, etc. – e por isso tomam diversos fármacos.

Aliás, segundo Manuela Zamith, «mais de metade dos doentes que visitamos faz mais de nove medicamentos por dia e, embora a maioria coabite com familiares, muitas vezes estes são o cônjuge, que pela proximidade de idade também tem a sua lista de problemas de saúde».
«Assim», continua, «deduzem-se duas ordens de problemas, designadamente a dificuldade de que a medicação seja bem orientada e a disponibilidade para fazer face às despesas da farmácia».

Benefícios para os doentes

Através do apoio domiciliário, pretende-se monitorizar os doentes e o tratamento, coisas como a utilização correcta dos inaladores, a verificação do equipamento ou a verificação da adequação da oxigenoterapia e da ventilação à própria situação clínica e também promover o ensino, quer do próprio doente quer dos seus familiares.

«Após quase 10 anos de visitas domiciliárias e seguindo e acompanhando insuficientes respiratórios há muito mais tempo nas consultas do HPV, continuo a considerar importante este trabalho», diz a coordenadora da ADIR, sublinhando:
«Os principais problemas não se detectam nas consultas mas sim em casa e é também ai que o ensino é personalizado e pode ser mais adequado.»

Relativamente aos principais benefícios, para Manuela Zamith podem ser resumidos de uma forma muito simples. Nas suas palavras, «através de um acompanhamento mais próximo e do conhecimento mais detalhado dos problemas que a pessoa tem com a(s) doença(s) e o complexo tratamento que associa comprimidos, inaladores, oxigénio e em alguns caos ventilador, os doentes podem usufruir de uma verificação sistemática do seu estado clínico e dos elementos do seu tratamento e em particular do ensino sobre a forma de tirar o maior proveito da terapêutica actualmente disponível para esta fase da sua doença».